quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Do Pesadelo ao Luxo em 30 minutos



Do Pesadelo ao Luxo em 30 minutos
Basta juntar "Fé"!

Já tinha visto um casal de águias calçadas numa zona onde estava a trabalhar... caçavam regularmente num optimo local > Fotogénico, cheio de coelhos.
Lá arranjei um isco e vai de montar o abrigo debaixo de uma arvore que ficava perto de umas pedras muito bonitas.
Tudo era perfeito, a sombra da arvore (para não fritar dentro do abrigo), a distancia ao local onde deveria pousar a AC, o cenário alentejano e bem florido, a luz, a temperatura, etc.
Vou de carro até ao spot, as águias já andavam a voar na área. Montei o abrigo, depois a cadeira e de seguida o tripé. Quando alinhava o tripé dentro do abrigo vi centenas (literalmente CENTENAS) de carraças a andar pelo chão, pela cadeira, pelo abrigo, pelo tripé, enfim parecia um "filme" de terror!
Claro! enquanto olhava para aquilo, já tinha uma duzia de carraças a subir pelas calças... No chão eram por todo o lado. NUNCA TINHA visto uma coisa assim. Desmontei tudo e furioso, enfiei o material no carro.
"Porra! Estava tudo perfeito para uma óptima sessão fotográfica"...
Dentro do carro (que teve carraças durante mais dois dias...)... resmunguei, "já me tramaram o dia... "
E pensei!... e que tal tentar fazer a coisa de dentro do carro?!
Coloquei umas redes camufladas por cima do carro e fiquei à espera das AC uns metros mais afastado das "pedras maravilha".
Passados uns bons minutos uma AC mergulha muito perto de mim por detras de uma azinheira... Demorou, e demorou... E pensei... já caçou um coelho, tenho de lá ir ver aquilo...
Avancei com o carro para a zona... quando estava mesmo a chegar ao spot onde ela tinha desaparecido (e não a estava a ver)... Ela deu um salto do chão - a cerca de 6-8 metros do carro à minha esquerda, para aterrar logo uns metros à frente.
Inesperadamente ficou no meio de umas flores a pouco mais de 15 metros de mim. Apontei a lente, foquei... e fiz uns disparos Uhaaaaooo! Pelo menos umas fotos da rapina ali pertinho já eu tinha. Tudo ficou tranquilo, o bicho tb ficou calmo... Uns minutos depois comecei a ver a águia a ficar nervosa e a olhar para o ceu... Não conseguia ver o que era... stressada levanta as penas da cabeça... E no instante seguinte uma segunda AC pousa perto desta. Faço mais umas fotos, consigo enquadrar as duas, mas as imagens não ficam nada de especial, antes pelo contrario. A segunda águia e depois de uns minutos no chão vai-se embora. A primeira e a mais "simpática" fica por ali... Sai do meio das flores e vem mais perto do carro... Estava estupfacto, como aquilo estava a acontecer... Depois de mais uns minutos no chão ela foi-se embora.
Mais tarde vim a encontrar no meio da erva o coelho que ela estava a comer...
O dia estava "ganho", fui-me embora... Pois já tinha tido os meus 5 minutos de sorte, em ter "fugido" das carraças e de ter ficado cara a cara com esta bela ave de rapina.

sábado, 28 de novembro de 2009

Arte para ciência

Excelentes desenhos e bonito site. Dá gosto folhear o livro e sonhar com o mundo natural. Ilustrações de Filipe Franco aqui.


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sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Mais uma maravilha...

Mais uma maravilha da BBC para ver e rever nos meses de Inverno. Momentos únicos, planos inovadores, comportamentos animais nunca antes registados. Enfim, o mesmo do costume, mais uma mão cheia de bons programas da Unidade de História Natural da BBC.


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sexta-feira, 6 de novembro de 2009

A câmara é uma arma!

Visão Verde - Edição especial
5 de Novembro 2009...

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Fantasias Tropicais!

Nem sei o que dizer! Apenas umas breves notas:
O que os Açores necessitam não é de mais operadores de turismo subaquático, mas sim de organizar o sector.
O mais "delicioso" é a fotografia e a legenda correspondente, que ilustra a notícia no jornal micaelense - Açoriano Oriental. Tanta fantasia tropical que há para aquelas bandas!
Edição de 2 de Novembro, após a II Bienal de Turismo Subaquático dos Açores - Graciosa.

II Bienal de Turismo Subaquático

Decorreu durante dois dias na ilha Graciosa - Açores, a II Bienal de Turismo Subaquático dos Açores. O Evento foi muito bem organizado, apresentações de grande qualidade e muita informação interessante disponível oriunda de alguns oradores. A receita foi boa, a "refeição" muito agradável, vamos ver agora como corre a "digestão"! Isto é, vamos ver que efeitos práticos serão implementados em diversos sectores deste nicho de mercado, para melhorar o panorama do mergulho nos Açores.
Durante estes dois dias assisti a várias apresentações de intervenientes espanhóis sobre duas das reservas marinhas de maior sucesso no país vizinho. É assustador ver a organização dos espaços, a gestão, os ESTUDOS no terreno, a divulgação, e o retorno económico que estas áreas classificadas dão, comparado com a balbúrdia que temos nas nossas áreas marinhas classificadas, no Continente. Estamos com anos e anos de atraso. Mas pior que isto, é a nossa teimosia, ou a nossas tendência para "reeinventar a roda". Quero com isto dizer que, em vez de irmos aprender como se faz bem, optamos por fazer à nossa maneira (sem conhecimento do que existe), lentamente, sem fundamentos/argumentos sólidos, entre outros "azares"!. Resultado para criar um Parque Marinho em Portugal, só entre a assinatura no papel da figura jurídica até à implementação do plano de ordenamento no terreno, podem passar 8 anos. Quando se começa a pensar em afinar detalhes de uso do espaço classificado, passam mais 4-5 anos, enfim para se ver qualquer coisa neste domínio em Portugal são quase necessárias duas décadas. Na era das tecnologias de informação, da divulgação cientifica, das viagens para qualquer canto do mundo, não faz sentido ficarmos atrofiados e a olhar para o nosso umbigo.
Um dos bons exemplos de implementação e gestão de uma área marinha em Portugal, existe na Madeira - Reserva do Garajau. Mas quer o Parque Marinho Luiz Saldanha, quer a Reserva Natural das Berlengas (ambas no Continente), nem se quer esse modelo apadrinham.
No final da II Bienal o sentimento em várias dezenas de pessoas era quase o mesmo. Por vezes sabemos fazer bem, algumas vezes executamos em tempo útil. Mas a regra é fazer mal, ou o mínimo satisfatório necessário, e pior que isso, é levarmos uma "eternidade" a aplicar na prática as medidas necessárias.
Quero com isto dizer que normalmente não "apanhamos o comboio"!...


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segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Wild Photos III - Outro "Campeonato"

Das inúmeras palestras que vi em Londres - Wild Photos'09, há sempre algumas que se destacam das restantes, por diversos motivos. Ou pela qualidade da comunicação, ou pela qualidade das imagens, ou pela inovação, etc. De tudo o que vi, e já conheço todos os fotógrafos de outras "paragens", três nomes revelaram-se definitivamente como artistas de outro "campeonato".
As imagens são soberbas, com estilos muito próprios, com inovação, projectos pessoais incríveis, e por fim um reconhecimento unânime de todos, público, media, instituições, entre outros.
Quando sentado numa das cadeiras do Royal Geographical Society, a deliciar-me com as novas fotos de Vincente Munier captadas no artico, ou do Tom Peschak no Oceano Indico (Albraba), ou ainda do Markus Varesvuo no Norte da Europa , não me cansava de pensar e murmurar, estes fotógrafos, jogam noutro "campeonato", pensam a fotografia com uma dimensão, com uma profundidade fora do comum. Para estes três artistas a fotografia e os projectos são pensados a longo prazo. Os assuntos são bem estudados, no terreno as imagens são muito bem trabalhadas. Há fotos de uma execução técnica e sensibilidade artistica verdadeiramente impressionantes. Enquadramentos invulgares, instantâneos únicos e com uma qualidade gráfica, textura, luz e detalhe pouco habituais em tão grande quantidade de imagens. Não estou a falar de uma dúzia de imagens muito boas, marcantes, quero sublinhar que assisti a dezenas e dezenas de fotos MUITO boas de cada autor.
Por fim e à conversa com todos eles, durante os intervalos do evento, a simpatia e humildade de cada um, ainda os torna muito maiores, não só como pessoas, mas também como fotógrafos.
Três nomes que irão crescer ainda mais e fazer uma notável carreira na história na fotografia de natureza.
Para contemplar algumas das fotografias de que falo, poderão navegar nos sites dos eleitos.

Vincent Munier
Thomas Peschak
Markus Varesvuo
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sábado, 24 de outubro de 2009

Wild Photos'09 II

Acabou ha poucos minutos o 2 dia do Wild Photos. A cabeça ainda esta a latejar, tal foi a qualidade das palestras e a quantidade de informação adquirida. Dos inúmeros fotógrafos que observei, alguns marcaram-me pela sua inovação, pela sua fotografia extremamente personalizada, pela estética invulgar, etc.
Ainda irei voltar ao tema do Wild Photos, mas para ja aqui ficam alguns links:
http://www.haarbergphoto.com/indexFlash.html (Fotografa hungara de grande qualidade, simpatica e inspiradora).

Arrisco dizer que este sera' o livro "Biblia" da fotografia de aves. E uma obra INCRIVEL. Conheço vários livros de aves de vários autores do mundo inteiro. Mas este livro "Aves em acção" de 4 autores, entre eles - Markus Varesvuo e' sem duvida o melhor que alguma vez foi publicado. Sao dezenas e dezenas de fotos incríveis, imagens impressionantes, com uma técnica e estética invulgares.
http://www.birdphoto.fi/store/BIA/index.html


(Estou a escrever este texto num teclado inglês, lamentavelmente nao consigo colocar muitos dos acentos necessarios ao nosso portugues).

Wild Photos'09

Durante tres dias Londres transborda de fotógrafos de natureza. Nao sao meia dúzia de grandes nomes da imagem do mundo natural, sao antes pelo contrario dezenas e dezenas de "estrelas" desta "arte fotografica".
Hoje o dia foi em grande, Vincente Munier, Kevin Schafer, Jonathan Scott, Niall Benvie, Markus Varesvuo, Thomas Peschak, Orsolya Haarberg foram alguns do autores mais sonantes, que desfilaram pelo palco do Royal Geographical Society. A ultima palestra do dia foi realizada pelo grande nome da fotografia de vida selvagem da National Geographic, Michael “Nick” Nichols.
Ao assistir a excelentes apresentações, fotografias deslumbrantes e magnificas historias, so me ocorre comparar este cenario a um restaurante de luxo com deliciosos pratos. Onde tudo o que se come e do melhor que existe.
A "digestão" vai ser lenta, pois a quantidade de informação absorvida ao longo de 6 horas nao se consome durante uma noite. Amanha a dose vai ser muito semelhante e com novos palestrantes.

(Estou a escrever este texto num teclado inglês, lamentavelmente nao consigo colocar muitos dos acentos necessarios ao nosso portugues).

Em Missão - Wild Wonders

Eis algumas fotos que realizei durante a missão do Wild Wonders
of Europe, na Costa Vicentina - Portugal.
WWE

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Imagens Lindas



Eis a lista e as imagens vencedoras do mais importante concurso fotografico de imagens de natureza, Veolia Environnement Wildlife Photographer of the Year.
A exposição esta patente no Museu de Historia Natural de Londres, uma delicia.
VEWPY

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quarta-feira, 21 de outubro de 2009

"Comer, fermentar e crescer"!



Após muitos meses de campo e mar, é a vez dos "banhos culturais"!. De ver muito, conhecer outros ambientes, fermentar ideias e "crescer" como fotógrafo, desenhar novos projectos.
A minha última semana foi passada em Paris - França. Além de horas em livrarias a ver toneladas de livros de muitas coisas, desde ilustração passando por outras formas de arte, como a pintura, a música ou a fotografia... não pude deixar de passar igualmente algumas horas nos museus. E claro o Museu de História Natural de Paris nas suas diversas galerias é um ponto de passagem obrigatório.
Bonito, grande, organizado, são algumas palavras que me ocorrem. Não quero tecer comparações entre o Museu de História Natural de Londres, ou de Nova York (duas outras referências de grande destaque), com o de Paris. São estilos diferentes, exposições com outra organização.
A galeria de Anatomia Comparada do MHNP, é uma floresta de ossos de grande beleza, linda...
Amanhã sigo para o Wildphotos'09 - Londres, a "Overdose" final de informação, que me vai deixar uns dias a "alucinar"!
Ideias, imagens, histórias e uma grande quantidade de outros detalhes que me irão fazer correr muita adrenalina entre o coração e o cérebro.
Darei notícias...

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sexta-feira, 9 de outubro de 2009

O fim da paisagem em Portugal


Fotografia realizada no Parque Natural do Alvão. 3 em 1... Postes eléctricos + Ventoinhas + Comunicações.
A Serra da Lousã e a Serra do Açor, entre muitos outros locais, são uma aberração paisagística.


Portugal nunca foi um país com paisagens grandiosas de cortar a respiração, com alta montanha, ou vales profundos e longos como acontece em inúmeros países da Europa, ou noutros Continentes. Apesar de tudo e, da nossa dimensão, tínhamos algumas bonitas paisagens em duas grandes áreas, a terrestre e a litoral. Se a zona litoral ainda tem resistido a diversos tipos de humanização, o mesmo não se poderá dizer da área terrestre, que tem sofrido verdadeiros abusos.
O fim da paisagem terrestre está por muito pouco, são raríssimos os locais onde é ainda possível fazer uma fotografia abrangente, e com profundidade sem que se apanhe, por exemplo, uma ventoinha (turbina eólica)
Além dos postes de alta e média tensão, das torres de telecomunicações, das torres de observação de incêndios, agora assumem, também o estatuto de invasão, os parques eólicos. Estão por tudo o que é cumeada. Mesmo estando fora dos parques naturais a sua presença massiva nos arredores destas áreas classificadas, é tão grande que é difícil apontar a objectiva sem encontrar uma “ventoinha” no enquadramento.
Já ouvi a triste teoria, um pensamento muito primário, que uma única ventoinha em cima de uma cumeada, pode ter apenas como objectivo, ir habituando as pessoas a essa nova realidade. É como saber que um dia irei morrer e como tal, é melhor activar um alarme no meu telemóvel para me lembrar mensalmente que um dia irei morrer.
Quando tiver que ser erguido um parque eólico numa determinada zona, que seja feito de uma só vez e de forma compacta, agora ir plantando ventoinhas de Norte a Sul do país só para ir mentalizando... é uma verdadeira aberração.
Não sou contra os parques eólicos, agora sou contra a dispersão avulsa destas infra-estruturas, e da falta de ordenamento que grassa de forma assustadora pelo nosso território. A Serra da Lousã é um bom exemplo do verdadeiro caos de ordenamento. Chega a ser perturbador e mesmo revoltante ver tanta balda no ordenamento, numa serra que poderia estar mais cuidada, bonita, cativante, respeitada e fonte de rendimento pela vertente do bom turismo de natureza.


Imagem captada no Parque Natural de Montesinho (Serra de Montesinho). As ventoinhas já estão em território espanhol. A poucos metros da fronteira este enorme parque eólico é sem dúvida um desconcertante atentado visual.