sábado, 7 de fevereiro de 2009

Espadim Branco



Navego lentamente a pouco mais de duas milhas do Monte da Guia na ilha do Faial. Com céu limpo e sem vento, rumo a SO sobre um mar calmo e repleto de sol.
A calmaria é tal, que me permite vislumbrar qualquer objecto à tona da água a milhas de distância do barco onde me encontro. O objectivo é encontrar golfinhos, mas a bombordo a silhueta que se recorta à suprefície, imóvel, mais parece uma foice e não tem nada de golfinho. Não é a primeira vez que vejo aquele perfil: pertence a um peixe de bico, neste caso concreto a um espadim. Mas a que espécie?
Rapidamente pego na câmara fotográfica, calço as barbatanas e coloco a máscara de mergulho na cara. Desloco o barco para a frente do grande peixe, que permanece imóvel, e deixo-me cair na água suavemente.
Foco o azul, faço uma rápida medição de luz e volto a olhar para o barco para me confirmarem se o bicho ainda está por ali. O momento parece perfeito – o espadim está calmo e eu estou pronto para o invulgar encontro. Coloco o visor da Nikonos V em frente ao olho e praticamente imóvel, apenas com uns movimentos mínimos de barbatanas, avanço em direcção ao peixe.
A ansiedade é enorme pois este encontro poderá transformar-se num frente a frente com um peixe que raramente se deixa ver dentro de água na nossa costa.
A cerca de quinze metros de distância, uma silhueta vai ganhando forma. Páro por completo de nadar e deixo-me apenas deslizar na água. O espadim branco continua a nadar na minha direcção. Começo a fotografar uma das mais perfeitas silhuetas do oceano. Estamos a cerca de três metros de distância um do outro. Ao mudar de rumo encurta a distância para dois metros e meio e passa paralelo à lente da máquina fotográfica. Com subtis movimentos da barbatana caudal o peixe desaparece em poucos segundos no azul.
Olho para a câmara fotográfica para confirmar os parâmetros com que realizei as cinco fotografias. Tudo parece bem. E sinto-me eufórico, não só por ter captado algumas imagens daquele encontro, como pelo facto de ter realizado um sonho.
Anos depois uma destas imagens foi usada num selo comemorativo do WWF e dos CTT.

4 comentários:

MB disse...

Boa! Já cá tinha vindo ontem e vou voltar. Um dos meus favoritos! Mónica Bello

Francisco Calado disse...

Olá Luis,

Fantástica a descrição do encontro com o Espadim Branco
Coleciono algumas folhas de selos principalmente com motivos que tenham a ver com a Natureza ou Vida Selvagem, tenho esta folha do Espadim é espetacular.

Obrigado por partilhares os momentos que viveste aquando da realização desta imagem

Parabéns pela fotografia

Abraço
F.Calado

garina do mar disse...

lindo o selo! e melhor ainda a história!!
fantástico o novo blogue ;))

Augusto disse...

Parabéns pelo registo aqui retratado do emocionante encontro com um Espadim branco, uma das espécies que tenho grande admiração: os peixe-de-bico!!!